Mar Aberto

by MEDEIROS/LUCAS

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about

two Quixotes lost at high seas.

credits

released March 2, 2015

Lovers & Lollypops/Musicbox - CTL, 2015
Recorded by Eduardo Vinhas at Golden Pony studio, Lisbon 2014
Mastered by Harris Newman at Grey Market Mastering
Original concept by Carlos Medeiros
Produced by Pedro Lucas
Artwork by Tiago Bom

Carlos Medeiros - Vocals
Pedro Lucas - Guitars, Synths, Programming
Ian Carlos Mendonza - Drums, Percussion, Marimba
Augusto Macedo - Keys, Bass
Pedro Gaspar - Mandolin, Bass
Mitó Mendes - Vocals
Gil Alves - Flute
Jácome Armas - MaxMSP
Choir on "Marinheiro" - Susana Tânger, Carolina Queiroz, Gil Alves, Pedro Félix

Artwork by Tiago Bom

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about

MEDEIROS/LUCAS Azores, Portugal

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Track Name: Bilhete para Filomena
O vento precisa dos moinhos
O mar precisa dos navios
O sol precisa das nuvens
Assim eu preciso de ti

Navio, moinho, nuvem.
Track Name: Búzio
Adula vígil amara
Amará a maresia
Os barcos prontos num deles
Ela vai ou ia

Vai onde a onda anda
Anda onde a onda ia
Leva um búzio no regaço
Cia-voga cicia
Track Name: Canção do Mar Aberto
Onde puseram teus olhos
A mágoa do teu olhar?
Na curva larga dos montes
Ou na planura do mar?

De dia vivi este anseio;
De noite vem o luar,
Deixa uma estrada de prata
Aberta para eu passar.

Caminho por sobre as ondas
Não paro de caminhar.
O longe é sempre mais longe...
Ai de mim se me cansar!...

Morre o meu sonho comigo,
Sem te poder encontrar.
Track Name: Fado do Marujo
Quando eu nasci neste mundo
Tive a sorte desgraçada
De ir para aquele navio
Sem saber pouco nem nada

Quando eu cheguei a bordo
Quando a bordo cheguei
Adeus meu pai minha mãe
Que tão cedo vos deixei

Adeus casa de meu pai
As costas te vou virando
Chega-te cá nau de guerra
Para ti me vou chegando

O capitão me escondeu
Debaixo da luz do sol
Chega-te p'raqui marujo
Quero-te assentar no rol

Com uma dor no coração
Eu me meti a chorar
Veio o piloto para mim
Que me havia de calar

Adeus casa de meu pai
As costas te vou virando
Chega-te cá nau de guerra
Para ti me vou chegando

Não torno a levar a vida
Como a que levava em terra
Que a bordo deste navio
Não há senão fome e guerra

A tristura me diverte
O passeio me entretém
Ditoso comigo mesmo
Sem querer bem a ninguém

Adeus casa de meu pai
As costas te vou virando
Chega-te cá nau de guerra
Para ti me vou chegando
Track Name: Batalha de Lepanto
Oh que rico comandante
Leva esta real fragata
Tocando novos apitos
Encastoados em prata

Oh que rico comandante
Leva este real tesoiro
Tocando novos apitos
Encastoados em oiro

Caminhara D. João
A sua viagem seguida
Era meio-dia em ponto
Mandou o gageiro acima

O gageiro subiu logo
Para ver que descobria
O gageiro lá de cima
Em altas vozes dizia

Safa, safa D. João
Safa a tua artilharia
Que aqui vem tamanha armada
Que o sol e a Lua encobria

Dentro da mesma armada
Um arrenegado vinha
Empenhado as suas barbas
D. João lho pagaria

Chegou a armada uma à outra
Em pino do meio-dia
A fumaria era tanta
Nem uns nem outros se via

Bala que D. João botava
Era de ferro rendia
A sangreira era tanta
Que p'los embornais corria

Era tanta a gente morte
Os navio empeçariam
De setecentos e oitenta
Só uma galera havia.
Track Name: Esfarrapado
Quem deprecia meus bens?
Desdéns.
Quem aumenta meus queixumes?
Ciúmes.
Quem prova a minha paciência?
Ausência.

Assim, em minha doença,
nenhum remédio se alcança,
pois matam-me a esperança

Desdéns, ciúmes e ausência.

Quem me causa tanta dor?
O amor.
A quem meu prazer repugna?
Fortuna.
Quem consente o sofrer meu?
O céu.

Assim, bem receio eu
morrer deste mal estranho,
pois aumentam, pra meu dano,

Amor, fortuna e o céu.

Quem melhora a minha sorte?
A morte.
O bem do amor, - quem o alcança?
Mudança.
E seus males, - quem os cura?
Loucura.

Assim, não será cordura
querer curar a paixão
quando só remédios são

Morte, mudança e loucura.Carlos Medeiros – Vocals
Pedro Lucas – Guitar
Pedro Gaspar – Bass
Augusto Macedo – Synths
Ian Carlo Mendoza – Drums
Track Name: Ladeira da Calheta
Tu não viste , ai o que eu vi
Na Ladeira da Calheta
Os olhos de uma menina
Fechados numa gaveta
Track Name: Rema
Eu a remar p'ra te ver
E tu a fugires de mim
É certo que mais te quero
Do que tu me queres a mim

Rema, que rema real fragata
Reminho d'oiro, tablé de prata

Contra-mestre manda à proa
No convés o guardião
Na tolda manda o piloto
Na câmara o capitão

Rema, que marcial fragata
Reminho d'oiro, tablé de prata
Track Name: Marinheiro
Marinheiro sou de amor
e em seu pélago profundo
navego sem esperança
de chegar a porto algum.

Seguindo vou uma estrela
que de bem longe descubro,
mais bela e resplandecente
que quantas viu Palinuro.

Não sei aonde me guia,
e, assim, navego confuso,
minha alma a olhá-la atenta,
inquieta e sem cuidar muito.

Cautelas impertinentes,
a pureza fora de uso,
são nuvens que ma encobrem
quando mais vê-la procuro.

Oh clara e luzente estrela,
em cujo clarão me apuro!
O instante em que te encubras
há-de levar-me ao sepulcro.
Track Name: Fado do Regresso
Voltei com a mesma fome
Ai como andara enganado
A quem renega o seu fado
Nem o céu lhe sabe o nome

Não achei o paraíso
E sei que tudo é pequeno
Mas no teu rosto sereno
É cada ruga um sorriso

Encontro as flores outra vez
O sol perguntou por mim
E foi sobre o meu jardim
Que uma nuvem se desfez

Na firme paz de quem ama
Acabei o meu desatino
Vejo os sonhos de menino
Á roda da minha cama

Adeus ó ilhas desertas
Velas Á raiva do vento
A cadeira em que me sento
É as minhas descobertas

Nem mesmo o teu fumo quero
Meu cachimbo de Xangai
Agora que já sou pai
No meu filho é que me espero

Ó sombra da minha sorte
Que traí com cem mulheres
Podes vir quando quiseres
Senhora da Boa Morte
Track Name: Navio
No porto deserto
Só há um navio
Já triste e cansado
O resto é vazio

No velho costado
O mar escreveu
Com algas e búzios
O que ele sofreu

O que ele passou
Sulcando oceanos
Cruéis temporais
Por anos e anos

Nas horas sem fim
Por noites e dias
Das rotas distantes
E das calmarias

Navio parado
Em frente do mar
Que bom é partir
Que triste é ficar

Mistério de longe
Chamando, chamando
Adeus que me vou
Deus sabe até quando