Terra do Corpo

by MEDEIROS/LUCAS

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about

credits

released April 5, 2016

Lovers & Lollypops 2016
Recorded by Eduardo Vinhas at Golden Pony studio, Lisbon 2016
Mastered by Harris Newman at Grey Market Mastering

Lyrics by João Pedro Porto
Composed and produced by Pedro Lucas

Musicians: Carlos Medeiros, Pedro Lucas, Augusto Macedo, Ian Carlo Mendoza, António Costa, Carlos Barretto, Rui Carvalho, Selma Uamusse, Tó Trips, Antoine, Gilleron, Luís Lucena

Cover by Tiago Bom and artwork by Sérgio Couto

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MEDEIROS/LUCAS Azores, Portugal

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Track Name: Sede (feat. Carlos Barretto)
Tudo tédio
Tudo torpe
Tanto trago no vazio
Tanta sede
Nada cura
Fome de fio a pavio

Vê-se algo e se cheira
Mas o olho não sacia
Não se deixa da seteira
Não se morde do que via

Fome que és sede
Fundo feito farto a valar
Nada enche que preencha
Esta ânsia de tomar

Dá-me sede

Tudo tédio
tudo torpe
Tanta teima sem asserto
Tanta sede
Sem rotura
Vai-se gota, atrofio
O que fica não nos chega
Sede que nos mate rio
Não nos gastam a palavra
Mas coíbem-nos o pio

Fome que és sede
Fundo feito farto a valar
Nada toma essa pressa
Toda feita de sonhar

Dá-me sede

Tudo tédio
tudo torpe
Tanta paz num arrepio
Tanta calma
Nada vira
Nada feito rodopio

Que se ouve no silêncio
Nada tine nem repica
Não barulha uma soada
Cantilena melopeia

Fome, que és sede
Fundo feito farto a valar
Nada apaga este risco
Esboço feito de somar

Dá-me sede
Track Name: Sístole Perdida (feat. Filho da Mãe e Tó Trips)
Disse O-que-sabe
Que nada sabia
Mentindo a verdade
Que ninguém ouvia

Que o coração enchido
É o mesmo que o vertido
Torpe tarefa de todo o sentido

Disse O-que-sabe
Que nada sabia
Mentindo a verdade
Que ninguém ouvia

Que não há sombra sem um sol
Nenhum dia sem noite posta
Uma pergunta a cada resposta

Vento vai e vento fica
Tudo é ida, tudo é volta
Nada fica que não se veja
Que não se veja de partida

Disse O-que-sabe
Que nada podia
Escondendo a verdade
Que ninguém queria

Que todo o vão sentido
Tem a forma do perdido
Pronto o todo o trazido

Disse O-que-sabe
Que nada podia
Escondendo a verdade
Que ninguém queria

E não há corda sem um nó
Gente que fique por só
Fazer o que lhe é pedido

Vento vai e vento fica
Tudo é ida, tudo é volta
Nada fica que não se veja
Não se veja de partida

Gente-vai e gente-vem
E tudo no mesmo ponto sem
Que se veja ou vá além
Track Name: Transparência (feat. António Costa)
De que te vale a transparência
Se primeiro cegas, se primeiro cegas
Se ao menos o transparente
Pudesse ser olhado
Do aqui ao seu passado
Do aqui ao seu passado

De que te vale ser de vidro
Se primeiro quebras, se primeiro quebras
De que te vale toda a seda
Pano ou estofo corrediço
Se te vês sempre em enriço
Se te vês sempre em enriço

De que te vale a humildade
Se primeiro perdes, se primeiro perdes
De que te vale a deferência
Feito dócil demais disso
Se és rasteiro submisso
Se és rasteiro submisso
Track Name: Corpo Vazio (feat. Selma Uamusse)
Num corpo sem janela há um quarto vazio
E nele o ar circula de fio a pavio
Num corpo há um quarto vazio

Num quarto sem janela há um corpo vazio
e esse está à espera que lhe puxem o fio
Num quarto há um corpo vazio

Cuidado com o Corpo vazio
Cuidado com o Corpo vazio

No corpo sentinela há um fado sombrio
E nele o feito faz-se de força ou brio
No corpo há um lado sombrio

No fado sentinela há um corpo sombrio
E esse está à espera de sentir desvario
No fado há um corpo sombrio

Cuidado com o Corpo vazio
Cuidado com o Corpo vazio
Track Name: Asas
Se não tinhas qu ́entrar

Porque te fizeste de pressas

Pensavas ser
Da qualidade dos génios

Não estou a dizer nada
Espera!, não te vás
Se não te digo o que quero
É por saber o qu´isso traz

Ao venal são sempre dadas,
Mordomias e as asas

Se não tinhas que dizer
Porque te fizeste de pranto
Pensavas ter
A forma dos prodígios

Não quero de ti nada
Espera!, não te vás
Se não te digo o que penso
É por saber o qu´isso faz

Ao venal são sempre dadas,
Mordomias e as asas

Se não tinhas que mostrar
porque te fizeste de faces
Pensavas ter
O encanto das sirenas

Não espero de ti nada
Espera!, não te vás
Se não te digo o que sinto
É por saber o qu´isso traz

Ao venal são sempre dadas,
Mordomias e as asas
Track Name: Azougo
Eu fui um dia braço
E mão e força de tomar
Hoje sou ruído de rua
Coisa certa a ignorar

Nascem goivos da mudez
Quietude de pouca dura
De ti me vejo em grande falta

Acorda!

Eu fui um dia maço
Arroubo e rasgo de furor
Hoje sou só som e fúria
Nada mais que só torpor

Nascem goivos da mudez
Quietude de pouca dura
De ti me vejo em grande falta

Acorda!
Track Name: Sina Saudade
Oh, que me fosse dado
Ir lá ter contigo
A essa terra de cal e pena

Oh, que me fosse dado
Ir lá ter contigo

Também nunca me vi de espanto
Feito dessa loucura
Na terra de vil ternura
Que é Sina Saudade

Orça tal delírio
Pesa esse fulgor
Feito na cidade
De Sina Saudade

Ah! Que me fosse dada
Passagem sem tributo
A essa terra de vil Sirena

Ah! Que me fosse dada
Passagem sem tributo

Também nunca me vi lanhado
Carente de sutura
Na terra, curva planura
Que é Sina Saudade

Pousa esse lírio
Sente esse ardor
Feito na cidade
Que é Sina Saudade
Track Name: Pulmão (feat. Carlos Barretto)
Feito que se faz feito
Não é feito qu´acontece
É coisa da mão d´alguém
Não coisa em que se tropece

Se inspira que inspire
Se espanta ou se não
Coisa alguma é feita
Sem ares no pulmão

Vazio, vapor e sopro
Tudo névoa-nada

Fumo que se faz fogo
Não é coisa que fenece
É coisa da mão d´alguém
Não coisa que s´esmaece

Se expira que expire
Se finda ou se não
Coisa alguma é feita
Sem ares no pulmão

Vazio, vapor e sopro
Tudo névoa-nada

Sono que se faz sonho
Não é coisa que vanesce
É coisa da mão d´alguém
Não coisa que anoitece

Se inspira que inspire
Se marca ou se não
Coisa alguma é feita
Sem ares no pulmão

Vazio, vapor e sopro
Tudo névoa-nada
Track Name: Fome de Vento (feat. Filho da Mãe e Tó Trips)
Primeiro tudo é boca
E dela o trago sorvido

Depois o mundo cresce
E nasce o sonho vivido

De pés e mãos andantes
O corpo quer ser vivido

Depois do ventre o norte
E vontade do sentido

Desde o fundo do Tempo
O Homem vê-se sofrido

Depois o peito embate
E tudo se faz cumprido

No fim silêncio ouvido
E nele o jogo vencido